terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Resenha: A Polícia da Memória, de Yôko Ogawa

Nome: A Polícia da Memória

Autor: Yôko Ogawa

Publicação: Estação Liberdade

Páginas: 320

Ver livro na loja

Sinopse: "A polícia da memória", finalista do International Booker Prize 2020 e do National Book Awards 2019, foi traduzido em diversos idiomas e, mais uma vez, marca o talento da escritora contemporânea Yoko Ogawa. Neste romance que chega agora ao Brasil, pela Estação Liberdade, em prosa ao mesmo tempo insólita e sensível, o leitor é conduzido ao mundo das memórias perdidas.

Uma ilha é vigiada pela “polícia secreta”, que busca e elimina vestígios de lembranças. Objetos, espécies e até famílias inteiras somem sem deixar traços, sem que as pessoas sequer se atentem, ou percebam os desaparecimentos, pois as recordações furtivamente também já se foram.

Na trama, uma escritora tenta manter intactos resquícios de histórias, de algo que possa permanecer. Não é fácil, já que tudo ao redor desaparece, e ela não pode contar sequer com a própria memória. O leitor é convidado, instintivamente, a acessar o seu próprio arcabouço de lembranças e percorre uma jornada de recordações que também gostaria de preservar. Algo que tem se tornado familiar na atualidade, e a todos que têm criado um novo mundo, já que o anterior, pré-pandemia, não mais existe, e nunca será como antes.

Acessar as memórias é acessar, também, o que criamos e o que se mistura ao real. E ler A polícia da memória é embarcar no mais profundo do ser. Há uma pergunta que circunda toda a narrativa: se pudesse, o que você preservaria intacto, e não perderia da memória?

Resenha

Eu confesso que este livro me deixou dividida. Eu me envolvi com a história e com os personagens, achei a trama muito interessante e muito criativa, mas... Bom, é impossível fazer uma resenha dele sem dar spoiler. Siga por sua própria conta e risco. Mas esse livro vai de nada a lugar nenhum!

Muitas perguntas ficaram em aberto. Perguntas relevantes! Que eu considero muito importantes para o leitor entender a história.

Apesar disso, é um livro que faz pensar, que faz refletir - sobre memória, sobre relações, sobre pessoas, sobre a infinitude do tempo. Sinto que a história é mais para fazer o leitor trabalhar esses assuntos internamente do que para ser um romance de ficção de fato (com início, meio e fim). Digo isso porque, infelizmente, havia muito mais para ser explorado no universo criado pela autora. Havia tanto espaço para criar, tantos lados para explorar, tantos personagens que poderiam ganhar algum destaque!

Sinto que terminei o livro mas não terminei a história. É uma sensação que me deixa impotente - não há o que ser feito senão aceitar a decisão da escritora. 

Mas, novamente, é um bom livro para refletir.

0 comentários:

Postar um comentário